12/05/08

Post Script 29

Olá… como correu?
A ansiedade está a fazer com que o meu coração bata com mais força, quase tanta como aquela que os meus vizinhos de cima usam para bater com as portas.
Espero que tenhas descansado bem, pelo menos melhor do que eu, sabes, os meus vizinhos do lado esquerdo fazem parte duma seita cuja finalidade é levar a minha pessoa à loucura, pelo menos é essa a única explicação que eu encontro para o facto de eles se levantarem todas as madrugadas às 5.30 para mudarem a disposição da mobília.
Ouve, lembra-te que, durante estes dias de convalescença, podes dormir até mais tarde, aproveita, eu, ao contrário, tenho agora uma espécie de “despertador humano” (a minha vizinha de baixo), a mulher tem como principal hobby acordar às 7.30 e aspirar a casa toda… todos os dias… com um aspirador industrial.
Enfim, espero ver-te em breve a 100%.

PS: depois diz-me qualquer coisa, mas diz alto, muito alto, senão não te vou a ouvir, é que o meu vizinho do lado direito toca bateria o dia todo.

FIM

06/05/08

Post Script 28

Olá… desta vez eu não fiz planos, por isso estava convencido que ia chegar à Igreja a tempo mas… ouve o que me aconteceu, princesa:
Eu estava super-feliz porque por fim, e apesar de todas as outras tentativas, eu ia finalmente casar-me contigo.
Acordei cedo nesse dia, eram 8 horas quando me levantei, peguei numa toalha e fui tomar banho, só que chegado à casa de banho constatei que não havia água!
Furioso, vesti à pressa um fato de treino e calcei uns ténis, meti-me no carro e fui até aos Serviços de Água, para reclamar.
Quando lá cheguei desatei aos berros, protestando porque no dia do meu próprio casamento eu não podia tomar banho por não ter água em casa.
Todos demonstraram muita simpatia e solidariedade para comigo e isso acalmou-me um pouco.
Contudo era já quase 1 hora da tarde quando finalmente consegui falar com o Chefe lá do sítio.
Para minha total e inesperada surpresa, eu conhecia o sujeito, era o “Orelhas”, um tipo que tinha andado na Tropa comigo.
O rapaz estava de rastos, ele tinha-se separado há pouco tempo e só dizia que a vida já não fazia sentido.
Eu tentei animar o homem.
Por mero acaso do destino, lembrei-me que às 3 horas da tarde (precisamente à hora do nosso casamento), ia haver um jogo de futebol entre ex-militares, tipos que tinham andado na Tropa comigo e com o “Orelhas”… por sorte eu estava de fato de treino e o “Orelhas” também.
Amorzinho, entende, nós podemos voltar a marcar o dia do nosso casamento para outra altura, mas o “Orelhas” estava desesperado e eu temi que ele fizesse uma loucura se eu o deixasse sozinho naquele momento.
As boas noticias é que ganhámos o jogo e eu recebi a Taça de melhor jogador.
Espero que entendas as minhas razões, amor da minha vida.

Beijinhos.

PS: achas que o teu pai ficaria mais calmo se eu lhe oferecesse a Taça?

FIM

05/05/08

Post Script 27

Olá… se estás a ler esta mensagem é porque o meu plano não deu certo… aliás, os meus planos nunca dão certo, nem sei porque é que ainda insisto em fazer planos quando sei que eles não vão dar certo.
A única vez em que um plano meu deu certo foi quando planeei assaltar um Banco, esse plano correu muito bem, isto tendo em conta que nunca o executei.

Amor, eu sei que não é a primeira vez que isto acontece, mas a culpa não é minha, a culpa é dos meus planos que nunca dão certo.
Um dia destes vamos mesmo casar, só tens é de ter mais um bocadinho de paciência.

Um beijinho, meu doce.

PS: só volto quando o teu pai vender a caçadeira.

FIM

30/04/08

Post Script 26

Olá… peço-te desculpa, tenho andado a evitar-te ultimamente.
Mas, que culpa tens tu de conseguires, sem qualquer esforço, fazer sair de dentro de mim o meu lado mais estúpido e idiota?
Como sabes, eu realmente tentei ser o mais “normal” possível quando estou perto de ti, acontece que falhei redondamente nessa missão, aliás, só de olhar para ti, os meus lábios ficam automaticamente esticados e com vontade de ocupar a cara toda… diz-me lá se isto não é a coisa mais idiota que já ouviste… tou feito!

PS: queres casar comigo?

FIM

28/04/08

Post Script 25

Olá… olá?! Que raiva, eu quero estar zangado contigo, só para sentir uma vez na vida essa sensação.
Ok… imagino que devas estar a sorrir por esta altura… e a fazer aquelas caretas que fazes quando eu digo coisas sem pés nem cabeça, ficas tão engraçada…
Não! Eu quero estar zangado contigo, dá-me esse prazer… pronto, parece que até já te estou a ouvir a rir… é difícil ficar zangado com alguém que nos faz rir, sabias?

PS: ontem encontrei o teu marido no elevador.

FIM

23/04/08

Post Script 24

Olá… desiludi-te, deixei-te ficar mal, deveria estar a sentir-me culpado?
Sim, estas são palavras de uma música que já deves ter ouvido, mas elas são também minhas, agora.
O que se passa, por que não respondes às minhas mensagens?
Não entendes que se tu sofres, eu sofro a dobrar?
Não sei mais o que escrever, pois não sei sequer se tu vais ler isto, e muito menos sei se vais querer responder, mas seja lá o que for que se tenha passado, lembra-te de uma coisa: penso em ti constantemente.

PS: se responderes, escreve o teu nome, é que tenho andado confuso ultimamente.

FIM

17/04/08

Post Script 23

Olá… eu tentei, eu juro que eu tentei.
Até fiz de conta que estava zangado contigo mas, por fim, acabo sempre rendido à tua magnética beleza.
Claro, também temos os nossos dias maus, dias em que praticamente nem te ligo, mas confesso que isso me custa sempre um bocado… ok, custa-me muito.
Às vezes, dou por mim no trabalho a pensar em ti, desejando que a noite chegue depressa para estar coladinho a ti.

PS: és a melhor TV de LCD que um homem pode querer ter.

FIM

14/04/08

Post Script 22

Olá… ouve, porque é que estou sempre a pensar em ti?

Porque é que sinto ciúmes quando te vejo com outras pessoas?

Porque é que sinto esta ansiedade de te ter cada vez mais perto de mim?

Se conseguires, responde por favor.

PS: tu sabes ler e escrever, não sabes Dinheiro?

FIM

10/04/08

Post Script 21

Olá… acabei de ouvir as notícias no rádio.
Ao que parece, se hoje as coisas estão mal, no futuro irão estar muito piores.
Isso fez-me pensar.
Que planos poderemos nós fazer?!

Acabei de olhar para uma fotografia tua.
Ao que parece, se hoje eu gosto de ti, no futuro irei-te amar.
Isso fez-me sorrir.
Quem precisa de planos?!

PS: como vês, terás de ser tu a pensar por mim.

FIM

09/04/08

Post Script 20

Olá… eu nunca irei abandonar-te, magoar-te e muito menos enganar-te.
Demorou, mas finalmente percebi aquilo que significas para mim, para a minha vida.

PS: ADEUS!

FIM

07/04/08

Post Script 19

Olá… desculpa não ter aparecido ontem.
Espero que o teu pai não esteja muito zangado comigo.
Já agora, amor, pede desculpa por mim à tua família toda.
Beijinhos.

PS: já falei com o Padre e podemos voltar a marcar a data do nosso casamento noutra altura sem problemas.

FIM

04/04/08

Post Script 18

Olá… sou sofredor por antecipação, crónico pessimista, às vezes o mais sortudo dos azarados, noutras o mais azarado dos sortudos, sou desafiador de realidades, estupidamente fascinável, duro como uma rocha, insensível bastardo, doce como o algodão e sensível como uma ferida aberta.

PS: sou isto e sou aquilo, mas principalmente sou…teu.

FIM

02/04/08

Post Script 17

Olá… desculpa só te escrever agora mas não me ocorre absolutamente nada de interessante para te dizer.
A culpa disso tem um rosto e um nome, ou melhor, dois nomes, chama-se Entidade Patronal.
Talvez já tenhas ouvido falar nessa “coisa”, se não, deixa que te diga que “ela” gosta de nos chupar até ao tutano, apenas pelo puro divertimento.
Quem me dera conseguir escrever qualquer coisa de mal sobre essa tal Entidade, qualquer coisa do género… vês? nada… o meu pobre cérebro está mais fraco que nunca, nem para dizer mal ele fica estimulado.
Preciso de férias… urgentemente.

PS: trabalhar para ti deixou de ter graça.

FIM

28/03/08

Post Script 16

Olá… faz as malas.
Acabei de registar o meu Euro milhões, fiz as contas, e segundo a tabela das probabilidades, que eu mesmo fiz, o dinheiro vai cair todo na minha carteira.
Claro que não foi fácil chegar a esta conclusão, tive inclusivamente de pensar, e tu sabes como eu detesto pensar por causa das malditas dores de cabeça que aquilo me faz, mas sabes que mais? O que é uma dor de cabeça quando vamos ser a pessoa mais rica da Europa?
Já estou a imaginar-nos a viajar por todos aqueles sítios que sempre sonhámos viajar um dia, vai ser lindo, vai ser mesmo lindo… só há um pequeno mas…

Tu és o mas.

Lembras-te daquela tua colega de trabalho, aquela que tu insististe para eu conhecer? Pois… eu agora conheço-a muito bem, e é com ela que eu vou gastar a minha Fortuna.
Não fiques triste, eu sei que eu não vou ficar.

PS: depois mando-te uns postais.

FIM

26/03/08

Post Script 15

Olá… nem imaginas o que me aconteceu hoje, pela manhã.
Eu ia a caminho do emprego quando, sem saber porquê, olhei para o céu e vi o teu rosto na forma de uma nuvem.
O que fiz a seguir foi arriscado, como mais tarde vim a constatar, mas a verdade é que parei subitamente o carro e sai para tirar umas fotografias com o meu telemóvel, àquele estranho, mas bonito, fenómeno.

Envio-te em anexo as tais fotografias, espero que gostes.

A primeira foto está um bocado tremida porque o carro que embateu na traseira do meu era dos grandes.
Acho que também não dá para perceber claramente o teu rosto, na segunda fotografia, porque quando a tirei, uma moto espetou-se contra mim, fazendo com que eu desse três voltas em redor de mim mesmo.

PS: na segunda foto, o tipo desmaiado no meio da rua sou eu.

FIM

24/03/08

Post Script 14

Olá… sabes, ao longo da vida tornei-me especialista em descobrir desculpas para não fazer imediatamente aquilo que eu sei que tem de ser feito.
O pior é que o raio das desculpas são sempre muito boas e acabo por convencer-me.
Quer seja para levar o carro ao mecânico, ou então para dizer-te o que representas para mim, a verdade é que deixo sempre tudo para a última hora e isso é terrivelmente dispendioso… especialmente no caso do carro.

Mas eu vou mudar, tem de ser.

Para começar vou levar imediatamente o carro ao mecânico… isto é, assim que pare de chover.
Quanto a ti é tudo muito mais fácil, basta-me ser sincero e dizer que tu és… parou de chover, tenho de levar o carro ao mecânico.

PS: logo falámos sobre isto… a não ser que o carro não fique pronto hoje.

FIM

19/03/08

Post Script 13

Olá… se eu pudesse, estava aí, contigo.
Estar ao teu lado é qualquer coisa de “floricolormilógico”.
Tive de inventar esta palavra porque nenhuma das palavras já existentes conseguem descrever tão bem como “floricolormilógico” a sensação que é estar ao teu lado.
Às vezes chego a pensar que não sou normal, isto porque algumas pessoas já me avisaram que não é muito normal uma pessoa andar para ai a inventar palavras, que isso é coisa de gente com um, ou mais, parafusos a menos… pois para essas pessoas eu tenho uma palavra :”extrapoloroidefocus”!
Eles não sabem nem sonham…

PS: um grande “bombicocca” para ti.

FIM

17/03/08

Post Script 12

Olá… :)
Yep, é oficial, o sorriso idiota é o carimbo disso mesmo.
Provavelmente até estás melhor sem mim, nem sei se serei capaz, mas o que queres, não te resisto.
Não… espera… desta vez vou dar mais luta a este sentimento, ele já me meteu em grandes problemas noutras ocasiões.
Hum… talvez seja melhor eu, pura e simplesmente, fazer de conta que tu não existes.

Vês como sou? Talvez estejas realmente melhor sem mim, quem quer um tipo que está constantemente a mudar de ideias?!

Venceste, irás viver comigo.

PS: chamar-te-ei Rex.

FIM

13/03/08

Post Script 11

Olá… vou ser directo contigo: quero sair já!
Estou farto de ti, durante anos a fio senti-me violado na minha dignidade e inteligência.
Nunca te disse nada porque vivia na vã esperança que tu um dia reconsiderasses a tua forma de agir para comigo.
Como fui parvo em acreditar em ti, nas tuas promessas de dias melhores, enganaste-me bem.
Mas agora as coisas vão mudar, finalmente encontrei coisa melhor que tu, muito melhor, estás a ouvir?
Sei que vou perder muito com esta mudança, conheço os teus direitos, mas acredita que mesmo mais pobre serei mais feliz sem ti.
Espero que um dia vás à falência.

PS: és o pior Banco do Mundo!

FIM

11/03/08

Post Script 10

Olá… como vai a vida?
“Como vai a vida?”, que bela forma de começar isto.
Eu aqui a tentar escrever a mensagem perfeita e a única coisa que me vem à cabeça para começar é um “como vai a vida”?
Como é que a vida pode ir a algum lado se nem sequer tem pernas, ou dinheiro para transporte?! Idiota!
Certamente esta mensagem irá parar na gaveta onde estão as “mensagens imperfeitas”, que está um pouco acima da gaveta com as “mensagens idiotas”, que por sua vez está acima da gaveta com as “mensagens realmente imperfeitas e idiotas”, essa está cheia.
Que raio de coisa será a “mensagem perfeita”?
Terá ela de ter as medidas perfeitas como as de uma Top-Model?
E depois temos o fim da mensagem, que é tão ou mais importante que o inicio, o final tem de ser especial, e sobretudo NÃO acabar com uma coisa do tipo “fica bem” ou “beijinhos”.
Meu Deus, como é difícil escrever a mensagem perfeita.

PS: fica bem, beijinhos.

FIM

10/03/08

Post Script 9

Olá… tu fazes-me rir, consequentemente, gosto de estar ao pé de ti.
Acredita quando te informo que não sou uma pessoa de riso fácil.
É claro que tu não sabes disso porque quando estou ao teu lado estou sempre com aquele sorriso idiota estampado no rosto, mas se tu fosses outra pessoa irias constatar que eu não me rio assim tão facilmente.
Obviamente que para isso ser provado tu terias de ser outra pessoa, e eu gosto de ti tal como és; uma pessoa que me faz rir.
Suponho que também eu te faça rir, a constante exibição dos teus lindos dentes será uma prova irrefutável disso mesmo, e eu gosto.

PS: também gosto quando te irritas, isso faz-me rir… c´est la vie.

FIM

07/03/08

Post Script 8

Olá… isto era para ser uma surpresa mas não resisto: comprei-te um presente!
Embrulhei-o há pouco.
Usei papel reciclado para o embrulho, como tu gostas de fazer.
Para o laço usei um pedaço de tecido que arranquei de uma velha camisa, não ficou perfeito mas acho que dá para perceber que aquilo é um laço.
Fiquei depois a olhar para aquilo e achei que faltava qualquer coisa, era preciso meter algo dentro daquela pequena caixa preta forrada a veludo azul-marinho.
Tive de desfazer o laço (não te preocupes, voltei a usá-lo), e lá consegui tirar o papel reciclado sem o rasgar.
Como não tinha mais nada à mão, resolvi meter dentro caixinha um anel.

PS: espero que gostes da caixa, depois devolve-me o anel.

FIM

05/03/08

Post Script 7

Olá… eu queria conseguir descrever por palavras aquilo que sinto por ti, mas receio que isso seja uma tarefa impossível de concretizar.
Não me atrevo sequer a começar, o medo de não te fazer justiça suficiente impede-me.
Talvez um dia eu conseguia reproduzir em papel 10% daquilo que significas para mim, mas receio que mesmo esse dia ainda venha longe, por isso apenas te posso assegurar que és a única pessoa no Mundo pela qual eu era capaz de dar a minha vida.

PS: tenho de parar de escrever sobre mim mesmo.

FIM

28/02/08

Post Script 6

Olá… sabes, é estranho, muito estranho até.
O que faz de ti especial para mim?
É que sendo realista, e não querendo ferir os teus sentimentos, a verdade é que tu és absolutamente normal, entendes?
Ainda por cima tenho a sensação que não entendes uma palavra daquilo que te digo, vives num mundo só teu, e é extremamente difícil arrancar-te uma palavra que seja.

Por isso eu pergunto: o que faz de ti especial?

Olhando nos teus lindos olhos eu consigo ver a resposta, mas sei que tu nunca a irás dizer.

PS: és o melhor papagaio que um homem pode ter.

FIM

26/02/08

Post Script 5

Olá... é só para te lembrar do jantar logo à noite, em minha casa, eu cozinho.

PS: não te preocupes, desta vez vai correr tudo bem, comprei um extintor.

PS: talvez não seja má ideia trazeres alguma coisita.

FIM

25/02/08

Post Script 4

Olá… lembrei-me de ti agora mesmo.
Sabes, eu lembro-me de ti muitas vezes, só que depois esqueço-me de te dizer isso.
Agora, e para que não me volte a esquecer de ter dizer que me lembro muitas vezes de ti, quero que saibas que lembro-me de ti quando inspiro, e por vezes, quando expiro também me lembro de ti, mas devo-te confessar que isso acontece menos vezes.
Lembro-me de ti quando acordo, desculpa não me lembrar de ti quando estou a dormir.
Lembro-me de ti muitas vezes e queria que soubesses disso.

PS: lembrei-me de ti outra vez.

FIM

21/02/08

Post Script 3

Olá… ontem à noite foi espectacular!
Juro que não sabia que tu conseguias fazer aquilo… daquela maneira.
É claro que nem preciso de te dizer qual foi a minha parte favorita, aposto que até os teus vizinhos são capazes de saber qual foi (eu sei que tenho de controlar os meus berros), e isso aconteceu umas cinco vezes, não foi?
Só lamento ter-te partido aquela jarra tão bonita, sabes como é, com tanta excitação é difícil controlar a força dos movimentos.

PS: da próxima vez jogámos na minha sala que é maior, traz a bola.

FIM

20/02/08

Post Script 2

Olá… esta é a milésima mensagem que te envio… hoje.
Porque não respondes, achas que estou a exagerar?
Tu sabes muito bem que eu não tive culpa de nada… quer dizer, acho que sabes, mas se não souberes ainda, estou agora a dizer-te que eu não tive a culpa toda.
Sabes que mais? Estou farto de ter de me justificar por uma coisa que só tive 50% da culpa… para te ser sincero começo a ficar mesmo farto… que se lixe, ouve, está tudo acabado entre nós, nunca mais te quero ver, espero que ardas lentamente nas chamas do Inferno.

PS: se quando receberes esta mensagem já me tiveres perdoado, ignora por completo o conteúdo da mesma.

FIM

15/02/08

Post Script 1

Olá… sabes, nunca fui uma pessoa de demonstrar muito aquilo que sinto, mas hoje… bem, hoje é um dia especial.
Não sei bem por onde começar… como sempre, não é?
Como daquela vez no cinema, lembras-te?
Mas dessa vez tu estavas ao meu lado e tomaste tu a iniciativa… ainda me lembro da sensação do primeiro beijo… mas tu não estás aqui agora, ao meu lado, e eu tenho de começar isto de alguma forma.
Espera só mais um pouco… deixa-me recordar o nosso beijo um instante mais… meu Deus, eu tremia por todos os lados.
Apetece-me sorrir.
Mas agora tenho de escrever sobre ti.
Já sei, isto vai soar mal ou piegas, talvez até as duas coisas ao mesmo tempo, mas cá vai: TU ÉS O MEU BEIJO PREFERIDO!

Sabes, é muito bom andar de mão dada com o nosso beijo preferido. :)

PS: o dia é especial porque sinto que vai ser hoje que te vou encontrar pela primeira vez.

FIM

08/02/08

E se...

Na sala de aulas, disciplina de matemática, a Professora tenta, apenas tenta, explicar a matéria aos alunos.
Rui, sentado na última cadeira, da última fila, fecha, por momentos, os olhos e parece meditar.
A imaginação do rapaz leva-o para longe, muito longe, daquela sala de aulas, daquela escola.
Ele sonha e tenta adivinhar a sensação que deve ser voar, a sensação de ver tudo lá de cima, sentado no topo de uma nuvem… não, o topo de uma nuvem não é suficientemente alto, ele experimenta ir mais além, explorar novos planetas, por que não? Afinal de contas já que se está a fantasiar é melhor fazê-lo em grande.
Rui vê um planeta, quer dizer, aquilo deve de ser um planeta, apesar da sua forma se parecer com um dado.
O jovem aterra sem problemas.
Mas, o que é aquilo ali ao fundo? Parece ser, sim, é mesmo, é uma pessoa, e humana, ainda por cima.
Quem diria que um planeta parecido com um dado já era habitado, o rapaz aproxima-se da pessoa.
É uma rapariga, mais ou menos da idade dele. Rui, tal como um parvo, fica a olhar para ela.
Subitamente ele sente uma espécie de abanão, é a Professora lá no planeta Terra a tentar arrastar o rapaz para a realidade.
Rui só tem tempo para, à medida que flutua de volta à Terra, acenar e sorrir para a rapariga.
Ele está de volta à sala de aulas, sim, todos os seus colegas riem-se dele por ter adormecido na aula de Matemática, mas quem o pode censurar? (Eu sei que eu não posso).
A aula acaba, finalmente.
No corredor, no meio da confusão, Rui dá um encontrão numa pessoa, é uma rapariga, e ela é muito parecida com a rapariga do planeta em forma de dado.
Não, não pode ser, pensa ele.
Os dois seguem caminhos opostos, Rui ainda pára para se voltar para trás, mas depois, conformado, segue o seu caminho.
A rapariga, que por acaso se chama Inês, pára de andar e volta-se para trás, o Rui já vai longe, ela encolhe os ombros, dá um suspiro e retoma o seu caminho.

FIM

05/12/07

A pior história de Natal do Mundo

Há muito, muito tempo… mas mesmo muito tempo atrás… tipo, a semana passada, aconteceu-me uma coisa que para sempre modificou o rumo da minha vida.
Na verdade, não aconteceu nada a semana passada, pelo menos algo que “para sempre modificasse o rumo da minha vida”, mas achei que era uma boa maneira de começar esta história de Natal… sim, isto é uma história de Natal.
Era Dezembro, aproximava-se a altura das compras, eu, corajosamente, decidi pedir uns dias de férias lá do trabalho.
Após algum tempo de negociações, este foi o acordo a que eu cheguei: do dia 17 ao dia 22 de Dezembro eu não iria trabalhar… na realidade esse período de tempo foi alargado para “tempo indefinido”, ou seja, fui despedido.
AVISO: Cuidado com a forma como pedem férias, não o façam se estiverem embriagados nesse dia.
Sem trabalho, tive muito tempo para planear a ida às compras, só me faltava arranjar o dinheiro.
Saí à rua, olhei para cima e pedi um sinal ao senhor… um sinal de “stop” caiu-me na cabeça. Eu, educadamente, agradeci ao tipo que estava em cima de um camião a descarregar sinais de trânsito.
Com uma valente enxaqueca, fui até à farmácia mais próxima, que ficava a 12 Km de distância.
Cheguei lá e já não me doía a cabeça, agora doía-me o corpo todo, andar a pé é uma merda.
A farmacêutica receitou-me uns maravilhosos comprimidos, que tomei imediatamente, foi então que vi um elefante azul a levitar em cima de um tapete indiano… juro.
Seja como for eu estava curado, ou pelo menos assim o pensava.
Mal saí da farmácia notei algo diferente em mim, eu… eu tinha uma enorme barba, estava velho e gordo… e que raio de fato vermelho era aquele?!
Sim, eu sou o Pai Natal e esta é, provavelmente, a pior história de Natal do Mundo.

FIM

09/10/07

Cafézada 2

Entro num café, vou até ao balcão, peço um café e ouço, sem querer (claro) este diálogo entre a EMPREGADA e um TIPO BAIXINHO que já estava no balcão:


(EMPREGADA) - Ainda esta semana demos 35.000.
(TIPO BAIXINHO) - Ai sim, é alguém conhecido?
- Não podemos dizer.
- Ah.
- Estamos proibidos.
- Mas é alguém que… como se diz… merece?
- Não conheço bem a pessoa. Ela só vem cá duas vezes por semana… à sexta, para registar o Euromilhões, e à terça, como hoje. Entra aqui, cumprimenta toda a gente, e pede sempre a mesma coisa: um galão, dois pacotes de açúcar, uma torrada e um copo de água.
- Não conheço.
- Pois… mas nós não podemos dizer quem é. Estamos proibidos.

A EMPREGADA vai atender os clientes que estão nas mesas.
Entra um tipo (TIPO ALTO) no café e diz:

- Bons dias a todos!

O TIPO ALTO caminha até ao balcão e diz:

- Queria um galão, dois pacotes de açúcar e uma torrada, se faz favor.

O TIPO BAIXINHO que está no balcão aproxima-se e põe a mão no ombro do TIPO ALTO que acabou de entrar e diz-lhe:

- Fique tranquilo… eu sei do seu segredo. Você bem que disfarçou, não pedindo o copo de água, mas eu já o topei… não se aflija que eu não conto o seu segredo a ninguém.
- Você também sabe, quem lhe contou?
- Ninguém, eu é que topo estas coisas ao longe.
- Bem, não sei o que lhe diga. Mas ouça, se você sabe do meu segredo então não se importa que eu o convide para aparecer lá em casa.
- Como?!
- Então… não vai ficar tímido agora, pois não? Só lhe peço uma coisa: não conte o meu… o nosso segredo a mais ninguém, está bem?
- Acho que eu não estou a perce…
- Às dez eu já estou despachado e…

Entra um outro tipo (TIPO MAGRO) no café, ele aproxima-se do balcão e diz:

- Bom dia… queria um galão, dois pacotes de açúcar, uma torrada e um copo de água, por favor.

Nessa altura eu saí do café, curiosamente nunca mais vi o TIPO BAIXINHO.

FIM

03/10/07

Cafézada

Entro num café e vou para o balcão. Peço um café e começo a ouvir a conversa entre o empregado no balcão e um cliente sentado numa mesa, não dá para ver o cliente, apenas ouço a sua voz.

(EMPREGADO) - O teu dá os 220?
(CLIENTE) - …
- É pra veres, o meu dá. Eu nunca andei a essa velocidade mas tá lá marcado… 220!
- Eu já andei a 160, no meu.
- Naquela caixinha de fósforos?!
- Deu os 160, mas depois bloqueou…
- O teu carro a 160 deve ser como um barco. Em vez de volante precisas é de um leme pra controlar aquilo.
- Quer dizer, não bloqueou mesmo, só não deu foi mais de 160.
- O meu é uma coisa a sério, aquilo até parece que cola à estrada.
- Aposto que os gajos meteram qualquer coisa no motor… uma coisa de segurança, chegando aos 160 não dá mais…
- Eu a 180 curvo na boa… mesmo nos 200 não há problema.
- E não adianta eu acelerar mais, o Sistema Anti-160 entra logo em acção, é automático…
- E pra travar no meu?! Que maravilha, basta encostar, só encostar, um dedo do pé no pedal é pimba… fica logo estacionado e tudo.
- Ainda a semana passada levei o meu pra uma rua a descer, pra ver se aquilo dava mais de 160 e népia… nem a descer… aquilo tá bem feito, sim senhor.
- O meu a descer parece que desliza…
(EU) – Afinal qual é seu carro?
(EMPREGADO) - Ó amigo, eu não tenho carro, estou só a conversar, percebe?
- Ah… queria pagar se faz favor.

FIM

21/08/07

Era uma vez um Presidente de um clube de futebol

Era uma vez um Presidente de um clube de futebol, o nome do clube é irrelevante, mas a primeira letra do nome é um S, tem um B no fim, e um L no meio.
A fisionomia do tal Presidente também é irrelevante, mas as suas duas orelhas, visíveis a longa distancia, são o que mais se destaca.
Durante o “reinado” desse Presidente, a competência técnica dos diversos treinadores que por lá passaram revelou-se sempre irrelevante.
A equipa, em si, era do mais irrelevante possível, contudo havia lá de tudo um pouco, infelizmente para o Presidente tudo que lá havia era mau.
No meio de toda esta irrelevância, o Presidente insistia que aquele era o maior e melhor clube do Mundo, e na verdade ele estava certo, o problema era que o Presidente vivia num Mundo só dele.
Ocasionalmente a equipa, desafiando a Lei das Probabilidades, vencia um jogo.
O Presidente ficava eufórico, normalmente isso durava até ao jogo seguinte, onde a Lei das Probabilidades impunha novamente as suas leis e a equipa perdia.
Os anos foram passando, as vitórias também foram passando ao lado.
Que fim poderia ter tal clube, liderado por tal Presidente? O pior de todos: ser protagonista de historias idiotas como esta.
“Antes de ser o melhor do Mundo, convém, em primeiro lugar, ser o melhor da cidade.” – Jin Tó Nikko (filósofo luso/nipónico/escandinavo)

FIM

11/07/07

Era uma vez um mágico

Era uma vez um mágico capaz de hipnotizar quem, e o que ele quisesse.
Certa noite, durante mais um dos seus espectáculos (ler o que se segue de um só fôlego, a coisa não tem virgulas!), ele chamou uma jovem mulher ao palco convidando-a depois a sentar-se numa cadeira previamente colocada no palco por uma assistente dele com o intuito de ali ser realizada a magia (inspirar neste ponto).
O Mágico pediu silêncio à plateia, as 4 pessoas que lá estavam obedeceram.
Foi então que o Mágico pediu à jovem para cerrar os olhos e disse-lhe:”Eu sou Zorb (nome ridículo, eu sei), o Rei do Hipnotismo.” - ele repetiu esta fala três vezes.
De seguida, e num gesto só possível de ser realizado por alguém com muitos anos de prática, e uma deficiência nos braços causada por acidente de mota, Zorb estalou os dedos (dos pés) e mandou a jovem abrir os olhos.
“Olhe para mim, minha jovem, olhe profundamente para mim… isso… não resista ao meu poder… agora diga, quem sou eu?” - perguntou Zorb.
“Zorb?” - respondeu a mulher.
“Sim, mas… Zorb o…” - o Mágico fez novamente uns gestos profundamente complexos sobre a cabeça da rapariga.
“Zorb… o Rei do Hipnotismo?”

O Mágico virou-se imediatamente para a 3 pessoas (uma já tinha abandonado a sala) da plateia e agradeceu os aplausos, isto é, aplausos não houveram mas ele agradeceu na mesma.

O mais incrível desta história vem agora, quem leu isto até aqui também foi hipnotizado (!), e sempre que se ouvir a palavra “Euribor” todos irão sentir uma enorme dor de cabeça.

FIM

03/07/07

Era uma vez um pedaço de tempo

Era uma vez um pedaço de tempo, o seu nome, pelo menos aquele que ele me garantiu ser o seu nome era " ".
Com efeito, " " revelou-se um nome difícil, para não dizer impossível, de eu pronunciar, por isso eu próprio o baptizei com o nome de " ".
" ", ou melhor " ", achou o seu novo nome maravilhoso, embora me tenha dito em voz baixa que " " soava melhor.
O que é certo é que aquele pedaço de tempo me fez companhia durante... bem, durante um pedaço de tempo.
Eu nunca pensei, ou sequer imaginei, que um pedaço de tempo pudesse ser assim como o " ", para ser sincero eu nunca dei muita importância aos pedaços de tempo.
" " avisou-me então para eu me preparar para o pior.
O pior? Que quereria o pedaço de tempo dizer?
Eu ainda não tinha sequer acabado de esboçar um pensamento quando vi o que ele queria dizer; " " tinha chegado ao fim.
Adeus " ", talvez um dia ainda nos vejamos novamente.

FIM

27/06/07

Era uma vez um poema

Era uma vez um poema,
Daqueles que rimam no fim,
E isto sem qualquer esquema,
Pois um poema é mesmo assim.

Ele nasceu em Março,
Era um poema muito dado,
Gostava de um bom abraço,
E de ouvir um bom Fado.

Porém,
Um quadro negro o amor lhe pintou,
E nunca conheceu nenhuma fadista,
Em vez disso uma rapariga ele namorou,
Que em Boxe era especialista.

Coitado,
Apanhou tamanha pancadaria,
Que certa noite deixou até de rimar,
“Que se lixe” – disse ele já na escadaria,
“Eu vou-me é pirar!”.

A história desta Poema foi assim,
De bonito nada tem,
E agora que chegou ao fim,
Resta-me escrever “adeus e passem bem.”

FIM

22/06/07

Era uma vez um estúpido

Era uma vez um estúpido, este, tal como todos os estúpidos do mundo, fazia aquilo que todos eles/elas adoram fazer: coisas estúpidas.
Certa tarde, o estúpido decidiu que já tinha feito todas as coisas estúpidas para aquele dia e decidiu regressar a casa.
Ia o estúpido a cantarolar uma estúpida musica quando, no meio do caminho, surgiu um enorme pedregulho.
Era um pedregulho verdadeiramente grande, deveria ter uns 3 metros de diâmetro e pesaria, talvez, umas 2 toneladas.
O estúpido parou diante daquele “monstro”, depois de olhar a gigantesca pedra, o estúpido tentou empurrá-la com toda a força.
Nada, o pedregulho nem se mexeu.
O estúpido estava com um problema, até ele conseguiu perceber isso.
Como é que ele podia ir para casa se no meio do caminho estava uma coisa a obstruir a passagem?
O estúpido sentou-se para pensar melhor.
Cinco minutos depois ele levantou-se e começou a dar murros na pedra, acho que a ideia dele era desintegrar o objecto.
A experiência para além de infrutífera, revelou-se demasiado dolorosa, por isso o estúpido deixou de usar as mãos e começou a dar pontapés.
O resultado foi mau.
O estúpido voltou a sentar-se para pensar.
Dez minutos depois ele levantou-se, ganhou lanço e tentou saltar por cima do pedregulho de 3 metros de altura… não conseguiu, mas para ter a certeza tentou ainda mais dez vezes.
Cansado, e com enormes dores espalhadas por todo o corpo, o estúpido desistiu, para ele era obvio que a única forma de voltar a casa era escolher outro caminho.
Ele deu apenas alguns passos no sentido contrário quando passou por ele um miúdo de 8 anos, o estúpido ainda avisou o miúdo que era impossível passar por ali, no entanto o miúdo já não o ouviu uma vez que ele tinha contornado a pedra e seguido em frente.

FIM

18/06/07

Era uma vez um sonho

Era uma vez um sonho, não era um sonho particularmente grandioso, nem sequer demasiado ambicioso, era apenas um sonho.
Com o passar do tempo, o sonho tornara-se cada vez mais difícil de concretizar.
Ele foi perdendo as cores, assemelhando-se cada vez mais a um sonho desfeito.
Por vezes, quando o sonho parecia que ia finalmente começar a concretizar-se acontecia sempre qualquer coisa… qualquer coisa era o suficiente para ele se desmoralizar.
O pálido sonho parecia condenado ao esquecimento, no entanto, também bastava qualquer coisa… qualquer coisa era suficiente para o sonho acreditar que ainda era possível, que ainda havia tempo e vontade para tudo acontecer como tinha sido sonhado.
Não era um sonho particularmente grandioso, nem sequer demasiado ambicioso, era apenas um sonho… o meu sonho.

FIM

21/05/07

Era uma vez um pássaro

Era uma vez um pássaro, o seu nome era Baltazar.
O dito animal vivia feliz, Baltazar era o orgulhoso proprietário de um excelente ninho de três assoalhadas, tinha também um emprego porreiro (das 2 às 3 da tarde), e ganhava muitíssimo bem para um pássaro com as suas limitadas habilitações académicas.
Porém, desgraçadamente, tudo mudou no dia em que Baltazar recebeu, via e-mail, uma ordem de despejo.
O malvado do senhorio não perdoou ao Baltazar os 14 anos de atraso no pagamento da renda.
Para piorar o cenário, o animal voador, foi despedido do emprego, isto porque ele nunca apareceu um só dia no local de trabalho.
“Como a vida é injusta.” – pensou o Baltazar.
Depois de vários… minutos a pensar numa forma de dar a volta por cima, Baltazar teve um ideia: fundar um Partido.
Segundo o bicho, a única forma de continuar a viver bem sem fazer nenhum era tornar-se num político.
Assim foi, Baltazar fundou o P.P.S.T. (Partido dos Pássaros Sem Trabalho).
É incrível o que um simples pássaro determinado consegue fazer, em pouco tempo o número de aliados do P.P.S.T. era já de largos milhares de pássaros, todos eles estavam dispostos a lutar, e até a dar a vida, pelos ideais defendidos pelo agora Doutor Baltazar.
E quem sabe… Baltazar poderia até conseguido dominar o Mundo, poderia… isto é, se não tivesse surgido à sua frente um outro ser, milhares de vezes mais inteligente do que ele.
É… o outrora Invencível Baltazar vive agora em minha casa, numa gaiola.

FIM

14/05/07

Era uma vez um pato

Era uma vez um pato, o seu nome era Simplesmente Pato.
Simplesmente, era um pato especial, ele era tão especial que todos os outros patos queriam ser como ele.
Simple – como ele era tratado para facilitar o contacto, era um pato alto, esbelto, quase um top-model, se houvesse um termo de comparação dir-se-ia que Simple era um Deus!
Certa tarde, Simplesmente Pato decidiu ir comer fora, ele saltou o baixo muro que rodeava a fazenda e caminhou pela estrada que o levaria ao povoado vizinho.
Ali chegado, Simple, foi ao galinheiro do Pestana, o Pestana era um galo.
Os dois animais eram velhos conhecidos, tinham feito amizade na tropa.
Simplesmente Pato comeu bastante naquela tarde, porém estava na hora de regressar.
Simple despediu-se de Pestana e pôs-se a caminho de casa.
O pato estava quase a chegar, só lhe faltava saltar o pequeno muro, assim que ele saltou, ouviu-se um disparo vindo de uma espingarda.
Simplesmente tinha sido atingido numa asa, o pobre animal começou a gritar (ou algo parecido com isso), os outros patos da fazenda correram em seu auxílio, quando lá chegaram viram Simple cheio de sangue e a tossir.
Os patos olharam para o local de onde o tiro tinha sido disparado e perceberam tudo.
Quem tinha disparado o tiro tinha sido o Pestana, o galo.
Simplesmente Pato tinha comido mais do que comida naquela tarde, e o corno do galo tinha feito justiça… simplesmente isso.

FIM

04/05/07

Era uma vez uma antena parabólica

Era uma vez uma antena parabólica, ela morava há já alguns anos em cima de um telhado com telhas pretas.
Certo dia, a antena viu chegar uma carrinha desconhecida à casa, automaticamente ela entrou em choque, pois já lhe tinham chegado aos ouvidos, ou melhor, aos cabos, que actualmente existia uma nova forma de ter muitos canais de televisão; TV por cabo era o nome dessa coisa.
Efectivamente, aquela carrinha pertencia à empresa de TV por cabo local, a antena parabólica começou então a tremer… devido a esses tremeliques a emissão de TV da casa começou a ficar desfocada e sem som nenhum, os donos da casa, que até então tinham grande orgulho na antena, começaram a questionarem-se: será que a antena parabólica já estaria demasiado velha e cansada?
Assim que a antena parabólica viu os donos a apontarem para ela, começou a tremer ainda mais, tremeu tanto que os donos não tiveram outra alternativa que não fosse desligá-la.
Durante dias, que pareceram anos à antena, ela ficou desligada, deixou de ser útil, e tudo porque teve medo daquilo que ela imaginava que iria acontecer.
Porém, num dia de sol e céu azul, a antena ouviu alguém a aproximar-se dela. “É o meu fim.”- pensou ela.
Só que… só que isso não aconteceu, o dono subiu ao telhado para prender melhor a antena, para que ela deixasse de tremer.
Momentos depois a antena parabólica foi novamente ligada e tudo voltou a ser como dantes.
Aquela antena parabólica aprendeu uma lição com este episódio: não adianta ter medo daquilo que pode vir a acontecer, afinal, o que tiver de acontecer, acontecerá.


FIM
PS: Semanas depois a antena parabólica foi efectivamente desligada, tendo sido substituída pela TV por cabo.

23/04/07

Era uma vez um soluço

Era uma vez um soluço, este, tal como todos os outros soluços no Mundo, vivia com medo.
Reparem bem, todos nós temos os nossos problemas, mas ser um soluço é mau de mais, imaginem como seriam as vossas vidas sabendo que toda a gente quer acabar com vocês, deve ser uma sensação no mínimo desagradável.
O soluço desta história, que a propósito se chamava Hic*, não fugia à regra e também ele tinha medo de tudo o que se mexia.
Hic*, apesar da tenra idade, já tinha visto muitos soluços seus amigos, serem pura e simplesmente aniquilados, uns padeceram vítimas de afogamento, outros de falta de oxigénio, e a maioria, a enorme maioria, morreram devido a terríveis sustos.
O relato que se segue é no mínimo controverso e oficialmente ele é negado pelas Autoridades, mas, entre os soluços conta-se, ainda hoje, como Hic* foi bravo e heróico na hora da sua morte.
A tragédia deu-se aquando da visita do Papa João Paulo II a este País.
Como sabem o Papa foi vitima de um atentado contra a sua vida, o que não sabem é que a bala não lhe acertou em cheio porque, na hora em que o terrorista disparou, Hic*, numa atitude de louvar, entrou no sistema do bandido, obrigando-o a soluçar na hora exacta do disparo… Hic* morreu instantes depois, mas o Papa sobreviveu, e tudo graças a um soluço, um corajoso soluço chamado Hic*.

FIM

12/04/07

Era uma vez uma música

Era uma vez uma música.
Ela era ainda muito pequena, na realidade, ela ainda nem sequer era uma música propriamente dita, ela era mais uma melodia, uma pequena e simples melodia que ansiava por crescer rapidamente para ver, ou melhor, ouvir, naquilo em que se iria transformar quando crescesse.
Naquele tempo, só ainda existiam dois ou três tipos de música conhecidos; havia o Jazz, o Rock e a música Sacra.
A jovem melodia rezava todos os dias para que ela não se transformasse em música Sacra (doce ironia).
Certo dia, quando a melodia ia a sair da escola de música, deu de caras com uma cena nova para ela, ela viu uma Clave de Sol agarrada, aos beijos, a um Dó Menor.
A pequena melodia escondeu-se atrás da Pauta Musical e ficou a ouvir o que eles diziam um ao outro.
Inesperadamente, e sem se conseguir controlar, a melodia começou a tocar uma espécie de música, o som era cada vez mais alto.
Pouco depois, centenas de Notas Musicais começaram a surgir do nada, todas foram ouvir aquele novo estilo de música.
E foi assim, sem tirar nem pôr, que nasceu a música Romântica.

(A Clave de Sol e o Dó Menor casaram mais tarde nesse mesmo ano).

FIM

07/04/07

Era uma vez uma Vez

Era uma vez uma Vez.
Certa vez, a Vez foi passear à beira-mar, era a primeira vez que a Vez ia ver o mar, por isso ela estava nervosa.
Assim que a Vez viu o imenso oceano, lembrou-se da vez em que ela viu uma bicicleta pela primeira vez.
Daquela vez, a Vez tentou logo andar de bicicleta mas caiu da primeira vez que tentou, por isso ela tentou mais vezes, acabando por conseguir à décima vez.
A Vez, desta vez, limitou-se a olhar para o mar, mas jurou que alguma vez ela iria andar em cima do mar, tal como da outra vez andou em cima da bicicleta.
Assim, mal o Sol apareceu de vez, a Vez começou a ter aulas de surf, aos poucos, vez após vez, ela lá conseguiu equilibra-se em cima da prancha de surf de vez.
Infelizmente, da vez, em que a Vez tentou andar sozinha pela primeira vez, desequilibrou-se da prancha e caiu ao mar…
Foi a última vez que a Vez foi vista, talvez a Vez ainda esteja viva, quem sabe… talvez ela até esteja agora mesmo a fazer aquilo que mais gostava: fazer alguma coisa pela primeira vez.

FIM

31/03/07

Era uma vez um tipo que queria comprar um frigorífico

Era uma vez um tipo que queria comprar um frigorífico.
Após alguma pesquisa na Internet, o tipo, finalmente, decidiu-se por um modelo específico.
Inocentemente ele deslocou-se, numa sexta-feira à noite, até a um desses centros comerciais, onde a maioria das pessoas gostam de passar o tempo a esbarrarem-se umas nas outras, mas este tipo não, ele sabia exactamente o que estava ali a fazer e foi, por isso, direito à secção de electrodomésticos, mais concretamente à zona onde estavam os frigoríficos.
A negociação foi fria e rápida, a “vendedora” ainda sabia menos sobre frigoríficos que o tal tipo, daí que ele pagou o electrodoméstico imediatamente, via Multibanco… dizem que assim, sem ver o dinheiro a sair da carteira, dói menos.
Um frigorifico é, normalmente, uma coisa grande, ou seja, é difícil de transportar num veículo utilitário, por isso o tipo pediu para que o frigorifico lhe fosse entregue em casa.
A “vendedora” garantiu, quase que sobre a vida dela, que na próxima segunda-feira, sem falta, o frigorifico lá iria estar, mais ou menos entre as 14 horas da tarde e as 20 horas da noite… o tipo sorriu, ele pensou que fosse uma brincadeira, mas a cara da “vendedora” dizia-lhe claramente que não, a coisa era a sério.
Resumindo: após múltiplos telefonemas, esquemas, incompetências, e, novamente, telefonemas, o tipo só teve o frigorifico em casa na quinta-feira… da semana seguinte.
Por tudo isto apetece dizer, ou melhor, gritar: “Não Worten, Nunca!”

PS: o tipo era eu.

FIM

23/03/07

Era uma vez um vidro riscado

Era uma vez um vidro riscado.
O vidro estava colocado numa enorme porta de uma enorme sala, que dava acesso a uma enorme varanda... o risco também era enorme.
No meio de toda aquela grandiosidade, o vidro riscado destoava, era impossível não reparar nele, toda a gente que ia aquela casa apontava-lhe o dedo, e diziam ser inestético, diziam ainda que aquele vidro riscado tinha de ser substituído.
O pobre vidro riscado não era capaz de esconder a tristeza que tinha dentro dele, que culpa tinha ele afinal de ser assim?
O dono da casa, farto de ouvir toda a gente a falar mal do vidro riscado, tomou uma atitude: ele chamou um vidraceiro para substituir o vidro riscado.
O vidro liso da mesma porta, bem que tentou animar o vizinho riscado mas foi inútil.
Numa tarde de sol, o dono da casa estava a olhar para a rua através do vidro riscado, quando uma coisa o obrigou a desviar o olhar.
O risco... o risco no vidro parecia-lhe claramente uma seta, uma seta a apontar para uma mulher que estava sentada no banco do jardim lá fora.
Instantes depois o vidraceiro tocou à campainha, ele trazia um vidro imaculado para substituir o outro.
O dono da casa olhou para o vidro riscado e, pedindo desculpa, mandou o vidraceiro ir embora (claro que pagou a deslocação do tipo).
Anos mais tarde o vidro riscado continua naquela enorme porta, daquela enorme sala, que dá acesso aquela enorme varanda.
Como poderia o dono da casa desfazer-se daquele maravilhoso motivo de conversa? Afinal foi aquele vidro riscado que o ajudou a tomar a decisão de casar com a mulher que estava sentada no banco do jardim.
FIM

16/03/07

Era uma vez um sapato

Era uma vez um sapato preto, o seu nome era 42, pelo menos era isso que ele pensava uma vez que esse algarismo estava inscrito na parte debaixo dele.
42, por motivos que eu próprio desconheço, separou-se do outro par.
Ele vivia dentro de uma velha caixa de cartão azul, azul-escuro.
Muitas vezes, 42 sentia-se triste, isto porque ele ficava a ver os outros pares de sapatos a passear e ele estava ali, sozinho.
Farto daquela situação, 42 decidiu tomar uma atitude, ele abandonou a velha caixa de cartão azul, azul-escuro, e caminhou pelo Mundo fora… ou melhor, saltitou pelo Mundo fora à procura do par.
A vida de um sapato não é fácil, especialmente se ele estiver sozinho, 42 teve de enfrentar muitos e grandes perigos, como fugir de cães estúpidos que adoram roer sapatos, saltar por cima de poças de água contaminada, atravessar passadeiras, e muitos, muitos outros perigos.
No decorrer da viagem, o sapato preto fez amizade com uma sapatilha rosa, ela também andava à procura do par.
Os dois, embora completamente diferentes, entenderam-se e ficaram amigos.
O 42 só não gostava quando a sapatilha decidia correr, é compreensível, os sapatos não foram feitos para correr… acho que a sapatilha sabia disso e apenas queria brincar com o amigo.
A amizade entre os dois cresceu e transformou-se em amor… quer dizer, o amor possível entre um sapato preto e uma sapatilha rosa.
Os dois deram o nó, literalmente, e caminham actualmente juntos por este Mundo fora, agora eles já não procuram par, querem é demonstrar, com o exemplo deles, que apesar das diferenças é possível as pessoas, ou sapatos, viverem juntos e serem felizes.
Por isso, se algum estranho dia virem um sapato preto, de nó dado, com uma sapatilha rosa, não estranhem, é o 42.

FIM

15/01/07

SIT.COM (stand-by)



SIDÓNIO PINTO (O FILHO - SID): Hummm… então tu é que és o namorado do meu pai.
FILIPE PINTO (O PAI - FIL): Sid…
JULIA QUADROS (O NAMORADO - JULY): Deixa, Fil. É natural que o Sid queira saber coisas a meu respeito.
SID: A minha mãe disse-me que tu és uma mulher.
FIL: Valha-me Deus.
JULY: A tua mãe não te mentiu, eu sou uma mulher… por enquanto, pelo menos.
SID: O meu pai gosta de homens.
FIL: Filho.
JULY: Deixa, Fil. Agora que vamos viver os três na mesma casa é bom esclarecer as coisas, afinal vamos ser…
SID: Uma família?!
JULY: Isso mesmo.
SID: Hummm...
FIL: Prepara-te, quando o Sid começa com os “hummm…”, é sinal que vai sair alguma coisa “genial” da boca dele. Nisso ele saiu à mãe, ela também tem essa mania. Alias, no dia em que eu lhe disse que era gay essa foi a única coisa que saiu da boca dela… no dia seguinte apanhei-a na cama com a amante. Essa foi a ultima vez que a vi, ela desapareceu e deixou o Sid na casa dos pais dela, mas agora que eles tiveram de mudar de cidade o Sid passou a ser minha responsabilidade…
JULY: Nossa querido, nossa responsabilidade, estamos juntos nisto. O Sid não tem contacto com a mãe?
FIL: Às vezes ela lembra-se e liga-lhe…
SID: Se tu és uma mulher, apesar de pareceres um homem…
JULY: Sim…?
SID: Se o meu pai é um homem, apesar de se portar como uma mulher…
FIL: Filho.
SID: Se vocês os dois fazem sexo…
FIL: Valha-me Deus…
SID: Isso significa que nós vamos ser… uma família normal... bolas, os putos lá da escola vão ficar decepcionados. Esta noite vocês vão fazer sexo?!
FIL: Olha, filho, chegámos… esta é a nossa casa.
SID: Hummm… espero que o prédio tenha elevador.

SID: Puff… puff… vocês querem dar cabo de mim, é?
FIL: Que exagero, Sid. Nós estamos no rês do chão.
SID: Pois… e as escadas da entrada, não contam?
FIL: Foram 6 degraus.
SID: E o peso da mala?
FIL: Fui eu que a carreguei. A sério filho, tens de fazer uma dieta.
JULY: Concordo, devias fazer mais exercício físico, Sid.
SID: Ai, sim? E como é que vocês os dois mantêm a elegância, é do sexo?
FIL: Han… July, que tal mostramos o resto da casa ao Sid?
JULY: Boa! Vamos, Sid, mexe esse traseiro.
SID: (Estes tipos só pensam em traseiros…) Já vou, calma.

SID: Hummm… então é aqui que vocês os dois fazem sexo…
FIL: Valha-me Deus.
JULY: Sid, repara, eu e o teu pai somos adultos, é natural que duas pessoas adultas, que gostam uma da outra façam amor, entendes?
SID: Hummm… acho que o sexo é como o dinheiro. As pessoas querem sempre mais e gostam de ter o dos outros.
JULY: Olha, acho que quando fores mais velho vais entender melhor… mas lembra-te que para haver sexo é preciso amar a outra pessoa.
SID: Pai, a mãe amava o Carlão, o massagista?
FIL: Quem?!
SID: E será que a mãe ama a Joana Espingarda? Acho que sim, para ter ido viver com ela…
JULY: E que tal nós…
SID: E o Jorge?! Será que a mãe também o amava, paizinho?
FIL: Mas quem é esse?
SID: O Jorge, padeiro… ele ia todos os dias levar pãezinhos fresquinhos à mãe, será que ela o amava?!
JULY: Pessoal, que tal irmos jantar fora? Aposto que o Sid está com fome, vamos?
FIL: O padeiro?!



(continua brevemente...)

18/08/06

Ana S. - Uma História Quase Verdadeira

Apresento-vos Ana S..
Isto de apresentar pessoas assim, por escrito, não é nada fácil, talvez se eu colocasse aqui uma fotografia da pessoa em causa, as coisas fossem mais fáceis, mas no fundo isso iria apenas facilitar o trabalho de quem lê, por isso, e como eu não gosto de privar a ninguém o prazer de pensar, as coisas vão continuar na mesma.
Já vamos à Ana S., mas primeiro convém salientar que esta história seria 100% verdadeira, caso tivesse eu conhecimento, de que ela aconteceu realmente, como tal é positivamente falso, esta é uma história quase verdadeira.

Ana S., nasceu há 55 anos, actualmente ela está divorciada, aliás tal como metade do Mundo, e vive com a sua filha Margarida de 18 anos, numa esplendorosa moradia.
Para além da filha Margarida, o único familiar ainda vivo de Ana é uma irmã, também ela curiosamente divorciada e com uma filha da mesma idade da Margarida, no entanto Catarina, assim se chama a irmã de Ana, vive num modesto apartamento.
Actualmente Ana S. é uma muito conhecida e super-conceituada jornalista, ela trabalha há 25 anos na mais mediática revista de "fofocas" do país, a famosa "Alter-Ego", graças a essa profissão, Ana teve, e ainda tem, o privilégio de poder viajar constantemente pelo Mundo inteiro, ela conhece pessoalmente meia dúzia de "celebridades", dezenas de "famosos" e centenas de "quase-famosos que querem ser celebridades".
Hoje é um dia especial para Ana, a sua filha Margarida faz 19 anos.
Ana é chamada ao gabinete do "big-boss" da empresa, o Dr. Inácio.

Quando Ana entra no gabinete vê que já lá está, sentada em frente da secretária do Dr. Inácio, a Lurdes.
A Lurdes é uma jovem jornalista-estagiária de 25 anos de idade, ela é uma rapariga com uma enorme vontade de vencer na vida, cheia de iniciativa, procurando sempre, através do seu trabalho, melhorar a cada dia… o facto de ser filha do principal accionista da “Alter-Ego” é mera coincidência.
“Ana… senta-te, já conheceste a Lurdes, não é? Então Ana, como vão as coisas, quero dizer, a tua filha, ela está bem, vai bem nos estudos?” – diz o Dr. Inácio.
É sempre assim, quando a entidade patronal nos quer dar alguma má noticia prepara sempre o terreno mostrando-se estranhamente interessados na nossa família e nos nossos problemas, esta vez não fugiu à regra.
Ana foi dispensada.
O Dr. Inácio, depois de Lurdes sair do gabinete, pediu desculpa à Ana, ele argumentou que não teve alternativa, que foram os administradores que decidiram aquilo, eles acharam que a Ana estava a ficar demasiado velha para fazer tantas viagens, e que a revista precisava de sangue novo, ou a Ana era dispensada ou era ele que ia para o olho da rua.
Ana, como mulher de classe que é, fez o óbvio, pegou no copo com whisky que estava em cima da secretária e despejou-o em cima do Dr. Inácio.

Claro, Ana ficou de rastos, no entanto ela não deixou que ninguém na Redacção se apercebesse disso, não, ela não ia dar esse prazer a algumas daquelas pessoas que há muito ansiavam por aquele momento, Ana arranjou forças para pôr a sua melhor cara “tudo bem”, e foi dizendo a quem quis ouvir (e todos estavam a ouvir, mesmo atrás das portas), que na vida haviam coisas mais importantes que um emprego, coisas como ir comprar um belo presente de aniversário para a sua filha Margarida.
No dia seguinte à festa de aniversário, Ana contou o sucedido à filha.
“… e achas que vais conseguir encontrar outra coisa para fazer? De certo que com a tua experiência, talento e conhecimentos, não te vão faltar convites, não é?” – disse a filha Margarida.
Ana S. sorriu e abraçou a filha.
Nessa mesma noite, Ana começou a entrar em contacto, via telefone, com algumas das pessoas “importantes” que ela tinha conhecido ao longo dos anos, algumas dessas pessoas deviam até a sua “fama” às entrevistas que Ana lhes fez para a revista “Alter-Ego”, o objectivo de Ana era encontrar um novo trabalho, algo que a ajudasse a pagar as elevadas prestações daquela luxuosa moradia e a manter o nível de vida que tinha tido até então.

Obviamente que Ana sabia que o “mundo do jet-set”, aquele onde ela viveu durante 25 anos, devido ao seu trabalho, era um mundo declaradamente falso, mas Ana tinha de tentar, pela filha. Durante meses os esforços dela foram em vão.
Ana acabou por perder a casa e teve de ir viver, com a filha, para casa da sua irmã Catarina, apesar de nunca lhe faltar nada, Ana não se sentia bem ali, ela precisava de continuar a tentar… os dias foram passando.
Certa madrugada, Ana acordou sobressaltada, pegou num papel e numa caneta, e escreveu o seguinte:
“Coisas que posso fazer:
1 – Assaltar um Banco
2 – Tornar-me stripper
3 – Usar a Internet
4 – Casar com um milionário”

“Devo estar louca!” – disse ela, depois de ler o que escreveu.
Ana riscou imediatamente as opções um, dois, quatro, e ficou a pensar na terceira opção.
No dia seguinte a irmã de Ana pediu-lhe um favor, pediu-lhe que escrevesse, por ela, uma carta para o colégio da filha, a solicitar uma bolsa de estudo.
Ana escreveu a tal carta e alguns dias depois a resposta do colégio foi positiva.
Este episódio deu à Ana a resposta que procurava, ela decidiu usar a sua experiência em escrever artigos para a revista “Alter-Ego”, para criar um site na Internet, a sua ideia era escrever cartas personalizadas.
As pessoas começaram a aceder ao site “cartaspersonalizadas.com”, o procedimento era muito fácil, as pessoas registavam-se, forneciam os seus dados pessoais, declaravam o motivo da carta, e por fim, pagavam pelo serviço prestado.
A coisa funcionou, passados alguns meses, Ana, ou melhor Betsy - o nome por ela usado no negócio, recebia centenas de pedidos de ajuda; algumas pessoas queriam cartas a pedir perdão por causa de uma traição amorosa, outras queriam cartas a pedir empréstimos de dinheiro ao Banco, pedidos de casamento, pedidos de divórcio, enfim os casos eram muitos.
Graças ao dinheiro que Ana recebia pelas cartas, conseguiu comprar um apartamento e foi para lá viver com a filha.
Um dia Ana recebeu um pedido de ajuda, para escrever uma carta, que a deixou estupefacta; uma pessoa queria que ela lhe escrevesse uma carta de suicídio.

Ana foi verificar os dados dessa pessoa, quando o fez, ficou ainda mais atónita, ela conhecia o individuo, quem se queria suicidar era, nem mais, nem menos, do que o seu ex-patrão, o Dr. Inácio.
Ainda em choque, Ana leu os motivos daquele macabro pedido.
“Estou desesperado.” – lia-se no formulário preenchido pelo Dr. Inácio – “A minha vida transformou-se num autêntico inferno. Desde que fui obrigado a despedir uma funcionária minha, há uns tempos atrás, desde esse maldito dia, parece que o peso do Mundo caiu sobre mim. Montaram-me uma armadilha e eu fui corrido da empresa, que eu próprio ajudei a fundar, sem dinheiro, fui abandonado pela minha mulher, e ainda por cima ela levou a nossa filha com ela… não sei o que fazer… nada faz sentido.”
Ana sentiu pena daquele homem, apesar de ele a ter despedido, Ana não conseguia evitar de sentir pena pela desgraça do Dr. Inácio.
No dia seguinte, Ana deslocou-se até à morada indicada no formulário.
O local era deprimente, e a casa onde morava o Dr. Inácio era-o ainda mais.
Ana bateu na porta, o Dr. Inácio apareceu, ele, que outrora fora um homem elegante e sempre bem vestido, era agora pouco mais que um mendigo.
Ana explicou-lhe como soube de tudo e propôs-se a ajudá-lo, na verdade o que ela lhe propôs foi uma sociedade, Ana desafiou o Dr. Inácio a voltar ao mundo empresarial, aquele que ele tão bem conhecia, e que se juntasse a ela no novo negócio das cartas personalizadas.
Apesar da hesitar, ele aceitou.
A mistura da habilidade natural do Dr. Inácio para os negócios, com o talento da Ana para escrever, começou a dar lucros, muitos lucros.
Em termos financeiros, tanto um como o outro, ficaram em excelentes condições, mas o mais importante de tudo, aquilo que realmente conta, é que eles, com o passar do tempo, voltaram a descobrir o amor, e vivem agora numa esplêndida moradia… cada um na sua, claro!

FIM