Doador De Histórias
Procuro trabalho na área da Escrita Criativa....................................http://twitter.com/Ruy_Barros Contacto: ruy-barros@hotmail.com
24/11/09
17/11/09
1000 Coisas

Eu,
Eu podia ter 1000 coisas,
Eu podia pensar em 1000 coisas,
Eu podia ver 1000 coisas,
Eu podia ouvir 1000 coisas,
Eu podia gostar de 1000 coisas.
No entanto,
Eu,
Só te tenho a ti,
Só penso em ti,
Só te vejo a ti,
Só te ouço a ti,
Só gosto de ti.
Porém tu,
Não me queres ter, a mim,
Não pensas em mim,
Não me vês, a mim,
Não me ouves, a mim,
Não gostas de mim.
Por isso,
Vai... pentear macacos, mil macacos,
Vai... dar banho ao cão, mil cães,
Vai... dar uma volta ao bilhar grande, mil voltas,
Vai... caçar gambuzinos, mil gambuzinos,
Vai... encher sacos de nevoeiro, mil sacos.
Só penso em ti,
Só te vejo a ti,
Só te ouço a ti,
Só gosto de ti.
Porém tu,
Não me queres ter, a mim,
Não pensas em mim,
Não me vês, a mim,
Não me ouves, a mim,
Não gostas de mim.
Por isso,
Vai... pentear macacos, mil macacos,
Vai... dar banho ao cão, mil cães,
Vai... dar uma volta ao bilhar grande, mil voltas,
Vai... caçar gambuzinos, mil gambuzinos,
Vai... encher sacos de nevoeiro, mil sacos.
.
(este texto foi enviado por mim, via email, para uma ex-namorada minha... 1000 vezes enviado)
13/11/09
09/11/09
Parábola dos Dois Montes

Todos os dias, quer estivesse sol, chuva, vento, frio ou calor... todos os dias, ininterruptamente, durante 57 anos, um velho homem de 72 anos, subia ao cume do monte mais alto da sua aldeia e sentando-se sempre na mesma pedra, ficava a contemplar em total silêncio o horizonte.
Na realidade o homem concentrava toda a sua atenção num ponto específico: o monte mais alto da aldeia vizinha, onde um outro homem, sensivelmente da mesma idade, realizava o mesmo ritual de subir ao cimo do monte todos os dias.
Religiosamente, os dois homens, passavam duas horas do dia simplesmente a olharem-se ao longe.
As duas aldeias, fartas de não obterem qualquer tipo de explicação para aquele estranho fenómeno, decidiram pôr os dois velhos frente a frente pela primeira vez.
Assim, a meio caminho entre as duas aldeias, e com as respectivas populações presentes em peso, os dois homens foram postos cara a cara.
Todos aguardavam com enorme expectativa pelo desvendar do mistério.
Os dois velhos olharam-se nos olhos... fizeram uma pausa e depois, subitamente, desataram a chorar desalmadamente.
Sabem, apesar de todos aqueles anos, os dois homens nunca se tinham visto de perto, na verdade eles julgavam que a pessoa que estava sentada no outro monte era… uma mulher.
Sem saberem como, nem porquê, os dois apaixonaram-se por aquela imagem.
Eles viveram décadas na ilusão de que “ela” era a mulher das suas vidas, e que mais cedo ou mais tarde, “ela” iria tomar a iniciativa de se aproximar.
Foi um dia duro aquele, para os dois velhos homens, contudo isso também serviu para que eles aprendessem, e ao mesmo tempo ensinassem, uma grande lição de vida: não se pode passar uma vida inteira a fantasiar, às vezes, digo, muitas vezes, é bem melhor tomar a iniciativa e arriscar.
Desde aquele dia, nunca mais ninguém foi visto sentado no cimo daqueles montes… até eu aparecer.
04/11/09
A Mais Pequena História de Natal do Mundo

Era uma vez um velho pedaço de papel reciclado, o seu sonho… sim, os papéis também têm sonhos, mesmo os reciclados. O sonho dele era ser útil.
O velho papel reciclado percorreu milhares de quilómetros, literalmente ao sabor do vento.
Durante essa longa viagem, o pedaço de papel reciclado, viu e ouviu muita coisa... mas de que vale ser um papel, se não se pode escrever nele aquilo que se vive ou viveu?
Certo dia, o já amarelecido pedaço de papel reciclado, ficou preso numa árvore, “é o fim!”- pensou ele.
De facto, que utilidade poderia ter um velho pedaço de papel reciclado no topo de uma árvore?
Pois bem, foi precisamente esse pedaço de papel reciclado, que chamou a atenção de uma criança para aquela árvore.
E lá está ele agora, o velho pedaço de papel reciclado foi "transformado" numa bela estrela de papel, e enfeita agora, o topo da árvore de Natal da família daquela criança.
Velho… reciclado?! Sim, mas orgulhosamente útil e feliz.
26/10/09
História Inacabada

Nota prévia: o seguinte texto soará (espero) melhor, se for lido em voz alta.
Era uma vez um rapazinho, que tinha um sonho: voar sozinho.
“Isso é impossível, ninguém consegue voar!”- alertavam os amigos, enquanto riam sem parar. “Pois um dia, eu vou conseguir!”- respondia o pequeno sempre a sorrir.
O certo é que o tempo passou a voar, e o rapaz cresceu sem o sonho concretizar.
Uma noite o pequeno, entretanto jovem, estava a olhar para o céu estrelado, quando subitamente deu um enorme salto, que quase o fez cair do telhado.
“Claro! É isso, já sei como conseguir.”- gritou o jovem para quem o quis ouvir.
Ele desceu do sitio onde estava empoleirado, e foi dormir, pois estava cansado.
Ainda antes do sol nascer, já os pneus da sua bicicleta, o rapaz estava a encher. Saiu de casa a pedalar rapidamente, apenas com o sonho de voar em mente.
O seu destino era o Monte Das Incertezas, o mais alto que havia naquelas redondezas. Chegou ao topo um pouco estafado, mas com a certeza de que o sonho apenas agora tinha começado.
A vista lá em cima era extasiante, por isso ele decidiu sentar-se por um instante.
Nesse momento, à sua cabeça vieram algumas recordações, lembrou-se de quando tentou voar do cimo de umas escadas, e caiu aos trambolhões. Porém hoje estava seguro que iria conseguir, pegou na fotografia da namorada e começou a sorrir.
“É hoje amor, em breve estarei perto de ti, e vou levar as flores que te prometi.”.
Em seguida, já com as flores na mão, ele aproximou-se do precipício com precaução.
Olhou para o anel que a namorada lhe ofereceu, saltou e ...
Deixo o final desta historia, ao critério de quem a leu, o meu é demasiado triste, pois o rapaz morreu.
18/10/09
A Fórmula

Uma folha em branco, seja ela de papel real ou virtual, é quase sempre sinónimo de angústia para quem não sabe o que escrever.
Por vezes, começa-se violentamente a escrever a primeira coisa que nos vem à cabeça e... mais uma folha para o balde do lixo.
Alguns “Mestres da Escrita”, afirmam que a forma como se inicia é absolutamente determinante, por isso convém não ser precipitado e não escrever a primeira coisa que nos vem à cabeça, por mais genial que essa coisa possa eventualmente parecer.
Convém ter um pouco de calma, reflectir, e se for necessário, respirar fundo...três vezes.
O resultado é espantoso.
Após esta fase Inicial, gostaria de poder dizer que tudo é mais simples, e na realidade até é.
O passo seguinte para a elaboração de um bom texto, seja ele um conto, uma notícia, ou outra coisa qualquer, é a fase Intermédia, ou “Palha”, como carinhosamente eu gosto de lhe chamar.
Esta é a parte que não acrescenta nada de essencial ao Início, e quase nunca é fulcral para o Fim, por isso, é aqui, nesta fase, que são escritas as maiores “barbaridades”. Aqui, a Imaginação de cada um é o limite.
Chega-se, por exclusão de partes, à fase Final.
Aqui é essencial ter calma e recomeçar a pensar um pouco... o ideal era mesmo começar a pensar muito.
Existem teorias que defendem a necessidade de uma pausa, de pelo menos um dia, entre a fase da “Palha” e a fase Final. A razão disto está ligada a uma velha história que é contada desde o tempo dos Romanos, só que essa mesma história é tão comprida (normalmente até maior que a própria história que se pretende contar), que nunca ninguém conseguiu descobrir exactamente o porquê desse dia de descanso.
Por tradição, esse dia ainda hoje é mantido.
Logo após as 24 horas de repouso, tudo parece certamente mais claro e óbvio, em poucos minutos a fase Final fica concluída, basta depois arranjar um motivo para que o “mau” da história sofra um terrível desastre de automóvel (os mais ousados usam aviões)... e morra. Os “bons” casam todos entre eles, e o cãozinho fica a brincar com a miúda que tinha partido a perna.
E todos vivem felizes para sempre!
Qualquer semelhança com o enredo de uma qualquer telenovela NÃO é mera coincidência.
12/10/09
Café Com Todos
Ir ao café é um hábito que a maior parte da população portuguesa faz questão de exercer.Porém, na minha opinião, o conceito de ir ao café não deveria incluir ter de aturar os filhos dos outros. Não sei porquê, mas alguns pais com filhos que ainda gatinham, pensam que o chão de um café é o sitio ideal para os seus filhos brincarem.
Pessoalmente não acho muito agradável, enquanto tomo o meu simbalino (café), sentir alguém, ou alguma coisa, a puxar-me as pernas das calças... no entanto pior, muito pior, do que ter uma criança a puxar-nos pelas calças, é ter um cão a tentar fornicar com elas (calças), é deveras embaraçoso - e não propriamente para o animal.
Se durante as noites os cafés estão normalmente cheios de homens que se recusam a pagar a Sportv, durante as manhãs o caso muda de figura... experimentem, como eu, tentar ler o “jornal da casa” durante a manhã - é impossível (!) - os bons dos velhinhos ,ou “Máfia da 3ª idade” como eu lhes chamo, não permitem que ninguém estranho à “Família” leia o jornal, sem que este tenha antes sido lido por todos os outros “familiares”.
Tudo isto leva-me a colocar a seguinte questão: “O que seria de grande parte da população se não existissem os cafés?”
Provavelmente teriam de gastar o tempo a fazer alguma coisa realmente útil e interessante, mas isso é uma seca, não é? (Vai um cafézinho?)
05/10/09
Passei?
"Casting", esta palavra, passou – por diversas razões – a fazer cada vez mais parte do nosso vocabulário.Para a grande parte das pessoas, ela está associada à escolha de actores ou cantores.
Porquê ser tão limitativo? Porque não, por exemplo, alargar a sua função para a escolha de políticos?
Vendo bem as coisas, políticos, actores e cantores fazem todos parte do mesmo ofício, o entretenimento popular.
Visualizem:
Jovem pretendente a político, entra timidamente numa sala sem janelas.
Lá dentro, é aguardado por um júri, composto por cinco políticos, mas estes não são uns políticos banais, têm de ser frios, calculistas, pretensiosos e arrogantes (estes são os predicados exigidos a um político, para conseguir escolher um outro semelhante).
O pretendente, coloca-se em frente dos juizes e aguarda.
Finalmente, é pedido ao jovem para referir qual deve de ser o papel de um político na actual sociedade.
- Ajudar os fracos e oprimidos, dar voz ao Povo, lutar por uma justiça igual para todos independente da raça, credo ou extracto social. Estar no fundo ao serviço do próximo, sem esperar nada em troca. - respondeu de forma segura, o aspirante a político.
Assim que o jovem terminou a resposta, fez-se um silêncio profundo na sala.
O jovem candidato começa a tremer de receio.
Os juizes parecem estátuas.
Subitamente, um dos juizes começa de uma forma lenta e compassada a bater palmas.
Um a um, todos os outros juizes fazem o mesmo, o ritmo das palmas cada vez aumenta mais.
O jovem começa a abrir um ligeiro sorriso nos lábios e resolve perguntar:
- Passei?
Nisto, com uma precisão para lá de matemática, todos os elementos do júri cessam de bater palmas ao mesmo tempo.
Volta o frio silêncio.
O aspirante a político, desta vez, com muito receio, volta a perguntar:
- P- Passei?
O elemento mais velho do júri, decide então falar:
- Passou, jovem amigo, passou. – um ar de alivio surge no rosto do jovem que desta vez exibe um enorme sorriso de orgulho. O jurado continua:
- Passou... passou completamente ao lado. Ajudar os fracos e oprimidos? Dar voz ao Povo? Lutar por uma justiça igual para todos? Você só pode estar a brincar connosco, ou então, enganou-se na sala, o casting para missionários é na sala ao lado. Adeus.
O jovem tenta responder, mas está visivelmente perturbado. – percebe-se.
- Mas... Mas...
- Qual mas! Ponha-se imediatamente na rua homem, e não volte sequer a tentar manchar o bom nome dos políticos. Rua, já disse.
Cabisbaixo, lentamente o jovem caminha na direcção da porta, ainda olhou uma última vez para os juizes, mas em vão.
- Rua. – disseram todos em uníssono.
Apesar deste trauma, o jovem, jurou a si mesmo que um dia ainda havia de conseguir ser político, nem que para isso fosse necessário alterar todos os seus valores morais.
Apraz-me, por fim, dizer que o jovem conseguiu realizar o seu sonho, e é hoje Primeiro-Ministro.
28/09/09
Dexter, A Entrevista
Sou fã da série de TV “Dexter”.Imaginei Dexter Morgan em Portugal, a ser entrevistado num canal de TV por cabo regional, durante um programa sobre doces tradicionais.
Após cada resposta, os pensamentos secretos de Dexter serão representados por ( ).
ENTREVISTADOR – Dexter Morgan, obrigado pela sua presença. Diga-nos, o que faz aqui, em Portugal?
DEXTER MORGAN – Bem… obrigado eu, pelo convite. Estou de férias, aproveitando a vossa simpática hospitalidade (ou como diria Harry: escondendo o meu traseiro o mais longe possível das provas do crime).
- Já teve a oportunidade de provar os nossos doces tradicionais?
- Não, ainda não (pergunto-me o que será pior: o Mundo descobrir que eu sou um serial-killer, ou ser obrigado a responder a estas perguntas idiotas), mas ouvi falar em… pastéis de Belém, certo? É assim que se diz?
- Sim, sim… vejo que o Dexter conhece alguns dos nossos doces tradicionais.
- Tenho pesquisado (é, cara de cú, tenho pesquisado por doces tradicionais portugueses, e por um bom sitio para me esconder… um lugar isolado, longe da civilização e o mais importante: o mais longe possível das provas do crime… merda, acho que já disse isto há pouco… este tipo está a descontrolar-me). Eu simplesmente adoro doces tradicionais.
- Diga-nos, está familiarizado com o nosso futebol?
- (eu não acredito que este imbecil acabou de me fazer esta pergunta… começo a pensar se ele não se enquadra dentro dos meus padrões… o que diria Harry? Concentra-te Morgan, e dá uma resposta civilizada ao estuporzinho) Gosto de todo o tipo de desportos.
- Óptimo, porque nós temos uma surpresa para si.
- Uma surpresa?! (Foda-se, fui descoberto) Que tipo de surpresa?
- Planeamos uma visita sua ao Estádio da Luz, onde joga o Benfica.
- A sério? (ok, este cabrão morre esta noite, Harry não teria aprovado, mas a regra nº7 do código é bem especifica: matar todos os benfiquistas) Isso é excitante.
- Caro Dexter Morgan, nós sabemos de deve ter uma agenda muito preenchida, por isso agradecemos-lhe a sua presença. Vemo-nos logo à noite, no estádio, certo?
- Certo, obrigado (nota mental: comprar um par de facas novas), mal posso esperar.



